Teve 24j em Curitiba sim! O diferencial foi o Bloco da Cultura, organizado também pelo SATED PR:

Atualizado: Ago 2

Ao contrário do publicado por algumas mídias tradicionais, em Curitiba teve sim protestos populares no dia 24 de junho, por mais justiça, vacina no braço, comida no prato, e cultura no ato! Dentre tantas pautas, na praça Santos Andrade, muitos foram os gritos da cultura pela desburocratização aos acessos nos auxílios emergenciais e editais, demarcação das terras indígenas e dignidade para todes.

Pela avaliação de Paulo Vieira Neto, Presidente do Sindicato dos Professores da Universidade Federal (APUFPR), o ato contou com cerca de 5000 pessoas durante o momento da passeata, e a ação da cultura garantiu que ele fosse encorpado, chamando e trazendo pessoas ao redor da cidade.


Organizado pelo Comitê Unificado de Luta, composto por movimentos sociais e sindicatos, dentre eles o SATED PR, o diferencial do ato em Curitiba foi seu início puxado pelo Bloco da Cultura. Segundo Raquel Rizzo, uma das organizadoras da Cultura no ato e Diretora do SATED PR, o Bloco da Cultura é uma construção que começou no ato 3 de julho, no qual vários artistas começaram a se reunir. “Conversamos muito sobre o desmonte da cultura no brasil e todos os atos desse governo com várias frentes, não só da cultura, como a indígena, ambiental, a de segurança, a sanitária, que é gravíssima, e falamos que a cultura tem que tomar frente, a cultura é potente, a cultura consegue chegar às pessoas, a arte pode trazê-las a outro local de reflexão fundamental. Então organizamos o Bloco da Cultura para o dia 3j e foi maravilhoso, deu certo. Pensamos na cor, achamos o rosa, que nos diferenciaria e formaria um bloco, as pessoas da cultura identificariam o rosa como seu bloco e engrossariam esse caldo. A participação foi muito legal, vários artistas e várias pessoas ajudaram. Alguns com cartazes, outros faixas, outros divulgaram, fizeram carimbos, maquiagem, amarraram faixas. E isso nos deu ânimo para o dia 24 pensarmos que o Bloco da Cultura tem que ficar.” Não só ficou como ampliou-se em forma de um Comitê responsável por organizar todo um itinerário de bandas e performances, em diálogo constante com a organização geral do ato.


Foram realizadas então várias apresentações e manifestações artísticas desde as 13h em cima de um imenso caminhão parado em frente à primeira Universidade pública do Brasil, a UFPR, como a performance de Arauto d’Alma e apresentações de: Garibaldis e Sacis, Bloco Batucada da Boa Luta, Marcello Andrade, Bloca Ela Pode Ela Vai, MUV, Wes Ventura, Paulinho Branco, MC Will TS, Will Capa Preta, e Imperador Sem Teto. A escolha da banda pode ser entendida a partir do depoimento de Rizzo: “As bandas arrasaram, todas as bandas selecionadas já tem essa arte política, já assumem essa bandeira, são da periferia, são de movimentos pretos ou feministas, ou já artistas engajados com lutas coletivas, então foi fantástico.” Entre as músicas, houveram falas representativas reforçando a importância da Cultura, da Arte, da história viva do Brasil que está à mercê de um governo que extinguiu nosso Ministério da Cultura e que sistematicamente desvaloriza nossa arte e nossa cultura.


Enquanto a arte ressoava por toda a Praça Santos Andrade, foram se aproximando com curiosidade, desejo, vigor, pessoas das mais diversas partes, partidos, torcidas de futebol, periferias, representações indígenas, sindicais e populares e o ato tomou forma e seguiu pelas ruas a partir das 16h tomando toda a Marechal Deodoro em direção à Boca Maldita.


Entre os manifestantes, havia três caminhões equipados, munidos de bandeiras e líderes de movimentos políticos, sindicais, LGBTQIA+ e de diversos polos em uníssono pedindo por condições melhores de vida a todes, em uma passeata pacífica e diversa.


Neste ato, presenciamos distanciamento e precaução com as máscaras - que inclusive foram distribuídas para quem não as possuía -, união, respeito à polícia que cumpria seu dever nos protegendo e a força de cada militante ali presente. Ouviu-se sobretudo a força da cultura em cada bateria, cada caminhão, cada banda, cada artista e técnico e em cada faixa erguida pelo Bloco da Cultura que estavam ou hasteadas nos caminhões ou carregadas por diversos manifestantes, não apenas artistas ou técnicos. Foi um ato revigorante, de esperança e atitude que marcou as ruas de Curitiba com arte e poder popular. Agradecemos e lutamos ao lado de cada pessoa que tornou possível este ato, com muito empenho, profissionalismo e garra!


É importante relembrar a nossa história e o quanto a arte sempre esteve à frente nas manifestações políticas: desde antes da época das diretas já, da ditadura, de todos os grandes eventos de mudança política e gritos por revolução. Grandes nomes foram contra o status quo por acreditarem na luta coletiva, como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Caetano Veloso, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Ziraldo… O ano é 2021 e agora é a nossa vez de ecoarmos nossas vozes pelas ruas. Venha conosco fazer história.


A cultura nunca se omitirá, não se calará, e sim, A CULTURA ESTÁ PRESENTE. E o SATED PR TAMBÉM ESTARÁ PRESENTE. Até que conquistemos nossos direitos. Até que não haja mais atos.


E, como uma imagem vale mais do que mil falta de reportagens na mídia tradicional, confira como foi o Bloco da Cultura nesse 24j:




Faixa do SATED PR CULTURA PRESENTE estendida em cima do caminhão maior desde o início do ato, em frente à Universidade Federal do Paraná (UFPR), integrante da diretoria do SATED PR Luísa Wolff na foto. Fotografia de Raquel Rizzo.




Primeiro secretário do SATED PR e Mestre de Cerimônias do ato Adriano Petermann em fala em cima do grande caminhão em frente à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fotografia de Raquel Rizzo.




Presidente do SATED PR Adriano Esturilho carregando o cartaz rosa A CULTURA TEM FOME. Fotografia de Raquel Rizzo.




Bloca Ela pode ela vai na bateria em frente ao caminhão maior. Fotografia de Raquel Rizzo.





Em primeiro plano o artista Wes Anderson, em segundo plano Leandro Leal, da Comissão de Cultura do ato e do Bloco da Boa Luta, todes tocando junto à banda MUV. Fotografia de Raquel Rizzo.




Cantora Kátia Drummond, vocalista da banda MUV. Fotografia de Raquel Rizzo.




Baterista Samir Souza, baixista Evangivaldo Santos, backing vocal Cauê Machado, banda MUV. Fotografia de Raquel Rizzo.




Guitarrista Eduardo Ansay, da banda MUV. Fotografia de Raquel Rizzo.




Saxofonista Paulinho Branco, tocando junto à banda MUV. Fotografia de Raquel Rizzo.




Apresentação do Bloco Garibaldis e Sacis, tradicional do carnaval curitibano. Fotografia de Raquel Rizzo.




Apresentação do cantor Will Capa Preta com UFPR e faixa VACINA É VIDA ao fundo. Fotografia de Raquel Rizzo.




Leandro Leal com o Bloco da Boa Luta e a Mestre Cerimônias Ana Terra ao fundo. Fotografia de Raquel Rizzo.




Marcelo Andrade, artista, diretor teatral e do SATED PR, no violão e voz, com faixa da CULTURA PRESENTE ao fundo. Fotografia de Raquel Rizzo.




Bandeira rosa da CULTURA PRESENTE em meio à multidão. Fotografia de Raquel Rizzo.




Cartaz rosa da CULTURA TEM FOME, segurado pela atriz Geisa Costa. Fotografia de Raquel Rizzo.




Cartaz rosa da CULTURA PRESENTE segurado pelo produtor e militante Isidoro Diniz. Fotografia de Raquel Rizzo.




Performance do artista Arauto D´Alma em cima do caminhão maior. Fotografia de Raquel Rizzo.



Matéria por Luísa Wolff.